Em julho de 2026, a ANVISA aprovou o Columvi (glofitamabe), um anticorpo biespecífico desenvolvido pela Roche indicado para adultos com Linfoma Difuso de Grandes Células B recidivado ou refratário.
Os resultados do estudo de fase III STARGLO foram expressivos: 50,3% dos participantes que receberam o novo tratamento alcançaram remissão completa da doença, contra 22% dos pacientes submetidos ao tratamento comparativo, com redução de 41% no risco de morte em comparação ao protocolo tradicional.
Para a oncologia hematológica, é um avanço muito importante e, para a Farmácia Oncológica, é também mais um sinal de que o ritmo da inovação não vai diminuir, e que o farmacêutico que não se atualiza fica para trás. Continue a leitura para entender o que muda na prática!
O que a aprovação do glofitamabe representa para a oncologia hematológica?
O Linfoma Difuso de Grandes Células B é um tipo de câncer hematológico agressivo, de crescimento rápido, e representa cerca de um em cada três casos de linfoma não Hodgkin, sendo o subtipo mais comum.
A estimativa é de que aproximadamente quatro mil pessoas sejam diagnosticadas anualmente por aqui e de que, em pacientes com doença recidivada ou refratária, as opções sejam limitadas e o prognóstico, pouco favorável.¹
O que torna o glofitamabe uma inovação terapêutica relevante?
A nova medicação pertence a uma classe terapêutica inovadora conhecida como anticorpos biespecíficos. Na prática, o medicamento funciona como uma estrutura de conexão entre as células de defesa e as células doentes. Uma extremidade se liga à célula tumoral e a outra se fixa à célula T, a célula de defesa do próprio corpo.
Ao unir as duas, o medicamento faz com que o sistema imunológico reconheça o câncer, que antes conseguia driblar os mecanismos de defesa, e então o combata de forma direta e precisa.
Além disso, o tratamento com Columvi é administrado por via intravenosa e pode ser realizado sem necessidade de internação hospitalar, o que muda o contexto de preparo, administração e monitoramento e amplia diretamente o papel do farmacêutico ambulatorial.
Você sabia?
Pacientes na terceira linha ou em estágios mais avançados da doença também poderão utilizar o Columvi. O medicamento deverá ser usado em combinação com gemcitabina e oxaliplatina, sendo destinado a pacientes que não são elegíveis ao transplante autólogo de células-tronco. Isso significa protocolos combinados mais complexos e mais pontos de atenção farmacêutica.Como essas inovações impactam a rotina da Farmácia Hospitalar e Oncológica?
Cada nova terapia aprovada não chega sozinha. Ela traz consigo um conjunto de exigências técnicas que impactam diretamente o trabalho do farmacêutico, incluindo um novo mecanismo de ação para compreender e novos protocolos de preparo e administração para seguir.
O que muda na prática do farmacêutico com a chegada de uma nova classe terapêutica?
Com anticorpos biespecíficos como o glofitamabe, o farmacêutico oncológico precisa estar preparado para:
- validar prescrições que combinam o novo anticorpo com quimioterápicos como gemcitabina e oxaliplatina;
- conhecer os eventos adversos específicos da classe, incluindo a síndrome de liberação de citocinas, que exige manejo clínico imediato;
- orientar a equipe sobre protocolos de pré-medicação e monitoramento pós-infusão;
- garantir o preparo correto em ambiente com controle microbiológico rigoroso;
acompanhar a farmacovigilância do medicamento, ainda em fase de uso real após aprovação.
Fato em evidência
A Resolução nº 2.831/2026 da ANVISA, que aprovou o glofitamabe, também ampliou indicações terapêuticas para câncer renal, hemofilia, lúpus e esclerose múltipla. Em um único ato regulatório, o farmacêutico que atua em oncologia e em outras áreas de alta complexidade recebeu novas demandas de atualização. Esse é o ritmo atual da inovação farmacêutica.
Qual é o papel do farmacêutico no cuidado ao paciente oncológico?
A oncologia é uma das áreas onde a atuação do farmacêutico tem maior impacto direto sobre os desfechos clínicos. Não porque outros profissionais sejam menos importantes, mas porque o manejo de quimioterápicos, anticorpos e terapias-alvo exige um domínio farmacológico que é, essencialmente, o território do farmacêutico.
O que o farmacêutico oncológico faz que nenhum outro profissional faz com a mesma profundidade?
A atuação vai muito além do preparo das doses. No cuidado ao paciente oncológico, o farmacêutico:
- valida as prescrições de alta complexidade, identificando incompatibilidades e erros de dose antes que cheguem ao paciente;
- monitora a toxicidade dos tratamentos e propõe ajustes ao médico quando necessário;
- acompanha a adesão ao tratamento oral, cada vez mais presente com o avanço das terapias-alvo;
- orienta o paciente sobre o que esperar do tratamento, reduzindo ansiedade e melhorando a adesão;
- integra a equipe multiprofissional com informações técnicas que impactam as decisões clínicas.
Insight de carreira
Com a aprovação de terapias administradas em ambulatório, como é o caso do glofitamabe, o farmacêutico clínico ganha ainda mais relevância fora do ambiente hospitalar. Centros de infusão, clínicas oncológicas e serviços de home care são espaços que crescem junto com esse movimento e que precisam de profissionais especializados.
Como eventos científicos como o SiMuOnCO contribuem para a atualização profissional?

E já que estamos falando sobre esse tema, não podemos deixar de apresentar o SiMuOnCO para você!
Organizado inteiramente pelo IPESK uma vez por ano, ele é um simpósio multidisciplinar voltado para profissionais da saúde que atuam ou querem atuar na área oncológica. Nele, temos um ambiente de aprendizado por meio de embasamento e também a partir da troca.
Durante o evento são discutidos casos clínicos e avanços terapêuticos, e você pode acompanhar discussões entre especialistas e ter contato direto com quem está na linha de frente da Farmácia Oncológica no Brasil.
Para o farmacêutico que quer se manter atualizado, esse tipo de ambiente é insubstituível. Isso porque a oncologia avança rápido demais para ser acompanhada apenas por periódicos.
O que torna esses espaços insubstituíveis para o farmacêutico oncológico?

Com simpósios como o SiMuOnCO, você:
- tem acesso a dados e discussões que ainda não chegaram aos materiais didáticos tradicionais;
- pode discutir protocolos com profissionais de diferentes instituições e regiões do país;
- se permite conhecer as soluções que outros serviços desenvolveram para desafios parecidos com os seus;
- consegue construir uma rede de contatos que sustenta a atualização contínua ao longo da carreira.
Ou seja: acompanhar publicações e notícias é necessário, mas não substitui o contato direto com quem vive essa realidade no dia a dia! Acompanhe o SiMuOnCO pelo Instagram e saiba mais.
Sem dúvidas, a aprovação do glofitamabe é mais um capítulo de uma história que não para de avançar. Por isso, acompanhar as novidades é o ponto de partida. Mas é a especialização que transforma informação em competência clínica real.
Conheça as especializações do IPESK para desenvolver competências alinhadas às novas demandas da Farmácia Oncológica.
