O Brasil está envelhecendo, e esse processo já está mudando o perfil dos pacientes que chegam às farmácias, clínicas e hospitais todos os dias. Segundo o Censo Demográfico, o número de idosos no país cresceu 57,4% entre 2010 e 2022. Ou seja, essa é uma realidade que já está impactando a rotina de quem trabalha na saúde.
Para o farmacêutico, esse cenário não é só uma mudança demográfica. É uma transformação no tipo de atendimento que o mercado vai exigir, nas competências que vão ganhar valor e nas áreas que vão crescer nos próximos anos.
Continue lendo para entender o que está em jogo!
O Brasil está envelhecendo. E o que isso significa para a saúde?
A proporção de pessoas com 60 anos ou mais no Brasil segue crescendo. As projeções do IBGE indicam que esse grupo deve dobrar nas próximas décadas, chegando a representar cerca de 30% da população até 2050¹. Esse movimento transforma diretamente a estrutura de demanda por serviços de saúde.
O motivo é bem claro. As populações mais velhas tendem a concentrar mais doenças crônicas, usar mais medicamentos de forma contínua e precisar de acompanhamento terapêutico mais próximo.
No varejo farmacêutico, isso já é visível: de acordo com o estudo Comportamento do Consumidor em Farmácias 2026, realizado pelo IFEPEC com apoio do Instituto Axxus e do NEIT da Unicamp, os consumidores com 60 anos ou mais já representam 23% da amostra do setor, e apenas 2% deles não fazem controle de doenças crônicas².
Você sabia?
O consumidor 60+ frequenta a farmácia com regularidade, compra com recorrência e tem alta dependência de medicamentos. É um dos perfis mais estratégicos do setor. E muitos deles buscam o farmacêutico para orientação!O que é polifarmácia e por que ela é um desafio crescente?
Conforme a população envelhece e o número de doenças crônicas aumenta, um fenômeno se torna cada vez mais comum. Ele é a polifarmácia, que é o uso simultâneo de múltiplos medicamentos pelo mesmo paciente.
Qual é a dimensão real da polifarmácia no Brasil?
Segundo o estudo do IFEPEC, 72% dos consumidores com 60 anos ou mais praticam polifarmácia. A maior parte, 54%, consome entre três e cinco medicamentos por dia, e 18% chegam a seis ou mais².
A polifarmácia é mais prevalente no Nordeste, com incidência de 72,6%, mas está presente em todas as regiões do país.
O problema não está no uso de múltiplos medicamentos em si, já que muitas vezes isso é necessário para controlar comorbidades. O problema está na falta de integração entre as prescrições.².
Fato em evidência
Além da polifarmácia, um estudo revela que 97,7% dos consumidores idosos convivem com dificuldades no manuseio de medicamentos. A principal barreira é a conferência de bulas e embalagens, apontada por 57,1% dos entrevistados, seguida pela dificuldade de lembrar horários (34,1%) e de tirar comprimidos da cartela (22,4%). São desafios concretos que o farmacêutico clínico está preparado para ajudar a resolver.²
Qual é o papel do farmacêutico clínico na segurança do paciente idoso?
É exatamente nesse contexto que o farmacêutico clínico tem papel mais relevante do que nunca. Não como dispensador de medicamentos, mas como profissional ativo no cuidado ao paciente.
O que o farmacêutico clínico pode fazer que o modelo tradicional não faz?
A atuação clínica permite que o farmacêutico:
- identifique interações medicamentosas entre fármacos prescritos por diferentes médicos;
- revise o perfil farmacoterapêutico do paciente e proponha ajustes seguros;
- acompanhe a adesão ao tratamento e oriente sobre uso correto, horários e formas de administração;
- comunique riscos à equipe multiprofissional antes que se tornem eventos adversos;
- atue na conciliação medicamentosa em momentos críticos, como internações e altas hospitalares.
Insight de carreira
Em alguns países, o farmacêutico já é reconhecido como agente integral de atenção primária à saúde. No Brasil, esse movimento está ganhando força, impulsionado pela legislação mais recente e pelo envelhecimento da população. Quem se especializar agora chega preparado para um mercado que ainda está se formando!
Quais áreas tendem a crescer nos próximos anos por conta desse cenário?
O envelhecimento populacional não abre apenas um espaço genérico para farmacêuticos. Ele aquece demandas específicas em áreas que exigem formação especializada. Vale prestar atenção em:
- farmácia clínica e serviços farmacêuticos, com foco em acompanhamento farmacoterapêutico de pacientes crônicos;
- geriatria farmacêutica, área ainda pouco explorada no Brasil mas com demanda crescente nos serviços de saúde;
- oncologia, já que o câncer é mais prevalente em populações mais velhas e os tratamentos exigem manejo farmacêutico especializado;
- farmácia hospitalar, especialmente em unidades com alta concentração de pacientes idosos e multimorbidades;
- atenção domiciliar e home care, setor que cresce junto com a demanda por cuidados continuados fora do hospital.
Fato em evidência
O Brasil é o sexto maior mercado consumidor de medicamentos do mundo³. Com o envelhecimento acelerado da população e o aumento das doenças crônicas, a tendência é que esse volume cresça ainda mais nas próximas décadas.
Sendo assim, o envelhecimento da população brasileira não é uma ameaça para a profissão farmacêutica. É uma oportunidade concreta, desde que o profissional esteja preparado para ocupar o espaço que esse cenário abre. Por isso, há habilidades que o mercado vai buscar cada vez mais, e que a graduação, sozinha, não entrega.
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